A Mão Negra de Estremoz

A MÃO ESTÁ COMPLETA - 5 são os membros: Polegar-O Cérebro; Mindinho- Pequeno mas solidário; Anelar- O Aliado; Indicador- Quem mostra a "direcção" e Maior de Todos - Grande no tamanho e nas convicções.

19 abril 2006

DINO e os NOSSOS FILHOS....


A notícia irrompeu pela casa dentro de forma inesperada e violenta: Morreu o “Dino” dos Morangos com Açúcar. O meu filho ficou entre o desespero e a frustração tal como terão ficado milhares de jovens e menos jovens pelo País inteiro. Nos dias seguintes a questão era saber se devia ou não deixá-lo assistir ás imagens televisivas que insistentemente repetiam a notícia bem como o funeral.
A morte é certamente um dos temas mais delicados de abordar durante o processo educativo entre pais e filhos. Embora seja a coisa mais natural, a morte traz sempre associada a emoção de perda, a frustração, a dor e o “nunca mais” e por isso se assiste a esta progressiva atitude de protecção dos mais novos, facto que não acontecia há gerações atrás.
Hoje há uma atitude distanciada da morte, quase diria que se pratica o culto de que se é invencível, de que se é imortal e de que se é eternamente jovem. Esta situação é tanto mais paradoxal quanto foi a confusão tida por alguns miúdos quando souberam da morte do “Dino” e á noite o viram “reaparecer” em mais um episódio da sua série favorita – Os Morangos com Açúcar”:
- Afinal “ele” não morreu… concluíram alguns petizes.
Nos mais pequenos há uma inconsciência da morte que é extremamente perigosa e por isso são cada vez mais as vozes a defender que a presença das crianças em funerais tem uma função importante, social e emocional na estruturação da sua própria personalidade, para além de ter um efeito “modelador” na responsabilidade individual. É preciso que eles, os nossos filhos, reconheçam a morte como um processo irreversível e é também necessário que nós, os pais, saibamos que eles têm mais resistência do que imaginamos.
O infeliz episódio do “Dino” é muito doloroso para todos nós mas deve ser aproveitado para fazer alguma pedagogia sensibilizando as nossas crianças para a necessidade da segurança rodoviária e para os preparar para a única coisa que na vida temos certos: a morte.