A Mão Negra de Estremoz

A MÃO ESTÁ COMPLETA - 5 são os membros: Polegar-O Cérebro; Mindinho- Pequeno mas solidário; Anelar- O Aliado; Indicador- Quem mostra a "direcção" e Maior de Todos - Grande no tamanho e nas convicções.

19 setembro 2006

CRÓNICA DO MEU TEMPO !

Tenho uma pequena fotografia, onde em grande plano e de olhos piscos, brinco com um minúsculo barco de borracha que (lembro-me bem) o meu pai me tinha dado num qualquer Natal. Fazia parte de um conjunto de alguns retratos nossos, e que por muitos anos estiveram expostos na sala da casa dos meus pais. Estas fotografias, hoje monocromáticas em tons amarelados, foram um dia de uma coloração bem viva, garanto! Explico isto um pouco aflito à minha incrédula família. Foi obra do tempo, foi por causa da exposição à luz que a imagem foi perdendo qualquer rasto de cor… Como as folhas no Outono, as fotografias antigas perdem a cor. Como acontece com a vida?
Agora lembro-me de íntimas conversas com a minha irmã, em que fantasiávamos sobre a infância e juventude dos nossos pais e avós… como se tivessem vivido e crescido num tristonho mundo a preto e branco, de saias compridas e chapéu na cabeça. Comentávamos - na nossa doce ilusão - o privilégio de ter nascido numa idade de tanta sabedoria luz e cor. Esta ilusão provinha da nossa visualização dos álbuns fotográficos e reportagens em super-8 existentes em casa do nosso avô paterno. Estranho mundo, aquele, tão formal e monocromático.Alarmante é o que se passa com as fotografias digitais tiradas há menos de dois anos e afanosamente impressas em casa, na nossa fantástica HP. As minhas empenhadas provas de modernidade estão assustadoramente a perder a cor. É do papel? Será dos tinteiros? Ou eu não controlo mais o tempo que passa? Aliás desconfio que os nossos miúdos consideram-se os únicos donos deste tempo, dos downloads, do IPod, do Harry Potter, do terrorismo muçulmano e do Hip hop.
Pela manhã, repito uma vez mais, pela milionésima vez, os rotineiros preceitos higiénicos. E, ao espelho, passo a lâmina pela espuma branca, num gesto intemporal. E sem querer, reparo que o meu cabelo para além de raro também está a ficar a "preto e branco"… Quero dizer: mais branco. Como nas fotografias, o original perde todos os dias a cor, sem se dar por isso.
E, de pasta na mão, pronto para sair, fresco e “bem cheiroso”, despeço-me do pessoal e uma ponta de vaidade me assalta. O meu barco navega, este é o meu tempo, e o mundo mantém inalterável a sua paleta infinita de cores, mistérios, poesia e paixão.

18 setembro 2006

Como eles gostam de nós....

Em certos círculos do Norte da Europa (p. ex., o académico), nós, os povos do Sul, somos conhecidos como PIGS (de Portugal, Italy, Greece and Spain). Pergunto-me se a entrada na UE de Malta e de Chipre fez de nós... McPigs.

Gente que escreve demais....

A propósito de alguns comentários e principalmente sobre as palavras amigas que nos têm chegado pedindo para não serem divulgadas só podemos agradecer, mas talvez seja exagero da vossa parte. O nosso blog é ainda uma criança e quando se tem uma estante cheia de livros e uma pasta com 5 gigas de master plans, não se tem vagar (paciência + tempo) para ler posts com mais de vinte linhas. Primeiro, porque muito raramente aquilo que se diz justifica exceder as 200 palavras. Segundo, porque quando até têm coisas para dizer, nós não temos qualquer interesse em tomar conhecimento sobre tal. Há, naturalmente, excepções. Tão raras como o brilhantismo na blogosfera.